Uretra

É um tubo que transporta a urina da bexiga para o exterior no ato da micção. No sexo masculino, a uretra dá passagem ao esperma durante a ejaculação. No sexo feminino, é um órgão exclusivamente do aparelho urinário.
 A uretra masculina é formada pelas porções: (1) prostática, (2) membranosa e (3) cavernosa ou peniana. A uretra prostática é revestida por epitélio de transição. A uretra membranosa é revestida por epitélio pseudoestratificado colunar. O epitélio da uretra cavernosa é pseudoestratificado colunar, com áreas de epitélio estratificado pavimentoso.


A uretra feminina é um tubo de 4 a 5 cm de comprimento, revestido por epitélio plano estratificado, com áreas de epitélio pseudoestratificado colunar.

Bexiga e vias urinárias

A bexiga e as vias urinárias armazenam a urina formada pelos rins por algum tempo e a conduzem para o exterior. A mucosa é formada por um epitélio de transição e por uma lâmina própria de tecido conjuntivo que varia do frouxo ao denso.
A túnica muscular é formada por uma camada longitudinal interna e uma circular externa. A partir da porção inferior do ureter aparece urna camada longitudinal externa. Essas camadas musculares são mal definidas. Na parte proximal da uretra, a musculatura da bexiga forma o seu esfíncter interno.


O ureter atravessa a parede da bexiga obliquamente. A parte do ureter colocada na parede da bexiga mostra apenas músculo longitudinal, cuja contração abre a válvula e facilita a passagem de urina do ureter para a bexiga. As vias urinárias são envolvidas externamente por uma membrana adventícia, exceto a parte superior da bexiga, que é coberta por membrana serosa (peritônio).

Rins

  O aparelho urinário é formado pelos dois rins, dois ureteres, a bexiga e a uretra. A urina é produzida nos rins, passa pelos ureteres até a bexiga e é lançada ao exterior pela uretra. Esse aparelho contribui para a manutenção da homeostase, produzindo a urina, por meio da qual são eliminados diversos resíduos do metabolismo e água, eletrólitos e não eletrólitos em excesso no meio interno. Essas funções se realizam nos túbulos uriníferos por meio de um processo complexo que envolve filtração, absorção ativa, absorção passiva e secreção. Além da função reguladora da composição do meio interno, os rins secretam hormônios.

  No hilo renal entram e saem vasos sanguíneos, entram nervos e saem os ureteres. O hilo contém também tecido adiposo e os dois ou três cálices, que se reúnem para formar a pélvis renal, parte superior, dilatada, do ureter. O rim é constituído pela cápsula, de tecido conjuntivo denso, a zona cortical e a zona medular (formada por 10 a 18 pirâmides medulares), cujos vértices provocam saliência nos cálices renais. Essas saliências são as papilas. Da base de cada pirâmide partem os raios medulares, que penetram a cortical.
  Cada túbulo urinífero é constituído de néfron. Em cada rim há cerca de 600 a 800 mil néfrons. O néfron é formado pelo corpúsculo renal (tufo de capilares glomerulares envolvidos pela cápsula de Bowman), pelo túbulo contorcido proximal, pelas partes delgada e espessa da alça de Henle e pelo túbulo contorcido distal, túbulo coletor e ducto coletor. O túbulo urinífero é envolvido por uma lâmina basal, que se continua com o escasso conjuntivo do rim.
  A cápsula contém dois folhetos, um interno(visceral), junto aos capilares glomerulares, e outro externo (parietal) que forma os limites do corpúsculo renal. Entre os dois folhetos da cápsula de Bowman existe o espaço capsular, que recebe o líquido filtrado através da parede dos capilares e do folheto visceral da cápsula.
Cada corpúsculo renal possui um polo vascular e um polo urinário. Ao penetrar o corpúsculo renal, a arteríola aferente divide-se em vários capilares, que constituem alças.     Além disso, há conexões diretas entre o vaso aferente e o eferente, pelas quais o sangue pode circular, mesmo sem passar pelas alças do glomérulo.
  O folheto externo da cápsula de Bowman é constituído por um epitélio simples pavimentoso, que se apoia na lâmina basal e em uma fina camada de fibras reticulares. O folheto interno é constituído de podócitos. Os podócitos localizam-se sobre uma membrana basal. O contato com a membrana basal é feito pelos prolongamentos secundários.Entre os prolongamentos secundários dos podócitos existem espaços denominados fendas de filtração.
  Os capilares glomerulares são do tipo fenestrado, sem diafragmas nos poros das células endoteliais. Há uma membrana basal entre as células endoteliais e os podócitos. Essa espessa membrana basal é a barreira de filtração glomerular. A membrana basal é constituída por três camadas:lâmina interna, lâmina densa e lâmina rara externa.
  Além das células endoteliais e dos podócitos, os glomérulos contêm as células mesangiais mergulhadas em uma matriz mesangial.No espaço entre os capilares localizam-se as células mesangiais. Essas células podem também ser encontradas na parede dos capilares glomerulares, entre as células endoteliais e a lâmina basal.

  Túbulo Contorcido Proximal: As células do túbulo proximal têm o citoplasma basal fortemente acidófilo em razão de numerosas mitocôndrias alongadas. O citoplasma apical apresenta microvilos, que formam a orla em escova. Como essas células são largas, em cada corte transversal de um túbulo proximal aparecem apenas três a quatro núcleos esféricos. Os túbulos proximais apresentam lumens amplos e são circundados por muitos capilares sanguíneos.
  O citoplasma apical das células dos túbulos proximais contém canaliculos que partem da base dos microvilos e aumentam a capacidade de o túbulo proximal absorver macromoléculas. Na sua parte basal, essas células apresentam abundantes mitocôndrias e prolongamentos laterais que se interdigitam com os das células adjacentes.
  Alça de Henle: A alça de Henle é uma estrutura em forma de U que consiste em um segmento delgado interposto a dois segmentos espessos.O lúmen deste segmento do néfron é largo, porque a parede da alça é formada por epitélio simples pavimentoso.

  Túbulo Contorcido Distal: O túbulo contorcido distal é revestido por epitélio cúbico simples. Nos cortes histológicos, a distinção entre os túbulos contorcidos distais e os proximais, ambos formados por epitélio cúbico, baseia-se nos seguintes dados: suas células são menores (maior número de núcleos em cada corte transversal), não têm orla em escova e são menos acidófilas (contêm menor quantidade de mitocôndrias). As células dos túbulos distais têm invaginações da membrana basolateral nas quais se encontram mitocôndrias.
O túbulo contorcido distal encosta-se no corpúsculo renal do mesmo néfron, e, nesse local, sua parede se modifica. Suas células tornam-se cilíndricas, altas, com núcleos alongados e próximos uns dos outros. A maioria dessas células tem o complexo de Golgi na região basal. Esse segmento modificado da parede do túbulo distal, que aparece escuro nos cortes corados chama-se mácula densa..
     
  Túbulos e Ductos Coletores: Os túbulos coletores mais delgados são revestidos por epitélio cúbico. À medida que se fundem e se aproximam das papilas, suas células tornam-se mais altas, até se transformarem em cilíndricas. Em toda a sua extensão, os tubos coletores são formados por células com citoplasma e muito pobre em organelas.
  Aparelho Justaglomerular: Próximo ao corpúsculo renal, a arteríola aferente (às vezes também a eferente) não tem membrana elástica interna e suas células musculares apresentam-se modificadas. Essas células são chamadas justaglomerulares e têm núcleos esféricos e citoplasma carregado de grânulos de secreção. Também fazem parte do aparelho justaglomerular células com citoplasma claro, de função pouco conhecida denominadas células mesangiais extraglomerulares.
       



Pleura

Serosa que envolve o pulmão, possui 2 camadas: Parietal e Visceral - ambos formados por mesotélio e tecido conjuntivo. A fina cavidade formada será preenchida por líquido lubrificante que vai permitir o deslizamento dos dois folhetos. 



                                             Seta aponta para pleura visceral

Alvéolos

Os alvéolos são a última porção da arvore brônquica. Se assemelham a uma pequena bolsa apoiada em um fino tecido conjuntivo com uma parede de fina camada epitelial, formando o septo interalveolar. Esse será constituído de pneumócitos separados por interstício de tecido conjuntivo, sendo a mais rica rede capilar do organismo. 
Os pneumócitos podem ser de dois tipos, mas os que predominam no septo interalveolar são do tipo 1 - caracterizados por núcleo achatado e zônulas de oclusão (com o intuito de prevenir a entrada de fluido nos alvéolos). Já os pneumócitos tipo 2, são arredondados, tem núcleo mais vesiculoso e ficam sobre membrana basal do epitélio alveolar. Contudo, sua principal função se dá pelos corpos multilamelares, liberados pela porção apical dos pneumócitos, formando a camada protetora alveolar- o surfactante pulmonar. 


Micografia eletrônica do septo interalveolar.

Alvéolos e septo interalveolar, destacando os pneumócitos do tipo 1 e 2, além dos vasos sanguíneos.

Ductos Alveolares

DUCTOS ALVEOLARES 

Quando a árvore respiratória vai adentrando o parênquima pulmonar, o número de alvéolos aumenta e a parede vai se constituir majoritariamente de alvéolos, o que forma o ducto alveolar. O revestimento se constitui de epitélio simples plano e o seu suporte se dá por fibras elásticas distensíveis no processo ventilatório. 



 Vista panorâmica de pulmão. Observa-se bronquíolos de vários calibres (1 a 4), vasos sanguíneos e diversos alveólos. Setas apontam para músculo liso.



Transição do bronquíolo terminal para ducto alveolar.

Árvore Brônquica


          A traqueia ramifica-se originando dois brônquios que, após curto trajeto, entram nos pulmões através do hilo. Esses brônquios são chamados de primários. Pelo hilo também entram artérias e saem vasos linfáticos e veias. Todas essas estruturas são revestidas por tecido conjuntivo denso, sendo o conjunto conhecido por raiz do pulmão.
Os brônquios primários, ao penetrarem os pulmões, dirigem-se para baixo e para fora, dando origem a três brônquios no pulmão direito e dois no esquerdo. Cada brônquio supre um lobo pulmonar. Esses brônquios lobares dividem-se repetidas vezes, originando brônquios cada vez menores, sendo os últimos ramos chamados de bronquíolos. Cada bronquíolo penetra um lóbulo pulmonar, no qual se ramifica, formando de cinco a sete bronquíolos terminais. Os lóbulos têm forma piramidal, com o ápice voltado para o hilo e a base dirigida para a superfície pulmonar. Sua delimitação é dada por delgados septos conjuntivos. No adulto, esses septos são incompletos, sendo os lóbulos, então, mal delimitados; é exceção a região próxima à pleura, onde há grande deposição de partículas de carvão nos macrófagos dos septos interlobulares. Cada bronquíolo terminal origina um ou mais bronquíolos respiratórios, os quais marcam a transição para a porção respiratória, a qual, por sua vez, compreende os ductos alveolares, os sacos alveolares e os alvéolos.
     Os brônquios primários, na sua porção extrapulmonar, têm a mesma estrutura observada na traqueia. À medida que se caminha para a porção respiratória, observa-se simplificação na estrutura desse sistema de condutos, bem como diminuição da altura do epitélio. Deve-se ressaltar, entretanto, que essa simplificação é gradual, não havendo transição brusca.


BRÔNQUIOS


Nos ramos maiores, a mucosa é idêntica à da traqueia, enquanto nos ramos menores o epitélio pode ser cilíndrico simples ciliado. A lâmina própria é rica em fibras elásticas. Segue-se à mucosa uma camada muscular lisa, formada por feixes musculares dispostos em espiral que circundam completamente o brônquio. Em corte histológico, essa camada muscular aparece descontínua. Externamente a essa camada muscular existem glândulas seromucosas, cujos ductos se abrem no lúmen brônquico.





As peças cartilaginosas são envolvidas por tecido conjuntivo rico em fibras elásticas. Essa capa conjuntiva, frequentemente denominada camada adventícia, é contínua com as fibras conjuntivas do tecido pulmonar adjacente. Tanto na adventícia como na mucosa são frequentes os acúmulos de linfócitos. Particularmente nos pontos de ramificação da árvore brônquica, é comum a existência de nódulos linfáticos.




BRONQUÍOLOS

Os bronquíolos são segmentos intralobulares, tendo diâmetro de l mm ou menos: não apresentam cartilagem, glândulas ou nódulos linfáticos. O epitélio, nas porções iniciais, é cilíndrico simples ciliado, passando a cúbico simples, ciliado ou não, na porção final. As células caliciformes diminuem em número, podendo faltar completamente. O epitélio dos bronquíolos apresenta regiões especializadas denominadas corpos neuroepiteliais. Cada corpo neuroepitelial é constituído por 80 a 100 células que contêm grânulos de secreção e recebem terminações nervosas colinérgicas. Provavelmente, trata-se de quimioreceptores que reagem às alterações na composição dos gases que penetram o pulmão. Admite-se que sua secreção tem ação local. A lâmina própria dos bronquíolos é delgada e rica em fibras elásticas. Segue-se à mucosa uma camada muscular lisa cujas células se entrelaçam com as fibras elásticas, as quais se estendem para fora, continuando com a estrutura esponjosa do parênquima pulmonar.
Quando se compara a espessura das paredes dos brônquios com a dos bronquíolos, nota-se que a musculatura bronquiolar é relativamente mais desenvolvida que a brônquica.


Bronquíolos Terminais

Denominam-se bronquíolos terminais as últimas porções da árvore brônquica. Têm estrutura semelhante à dos bronquíolos, tendo, porém, parede mais delgada, revestida internamente por epitélio colunar baixo ou cúbico, com células ciliadas e não ciliadas. Os bronquíolos terminais têm ainda as células de Clara, não ciliadas, que apresentam grânulos secretores em suas porções apicais. As células de Clara secretam proteínas que protegem o revestimento bronquiolar contra determinados poluentes do ar inspirado e contra inflamações.





Bronquíolos Respiratórios

 Cada bronquíolo terminal se subdivide em dois ou mais bronquíolos respiratórios que constituem a transição entre a porção condutora e a respiratória. O bronquíolo respiratório é um tubo curto, às vezes ramificado, com estrutura semelhante à do bronquíolo terminal, exceto pela existência de numerosas expansões saculiformes constituídas por alvéolos, onde ocorrem trocas de gases. As porções dos bronquíolos respiratórios não ocupadas pelos alvéolos são revestidas por epitélio simples que varia de colunar baixo a cuboide, podendo ainda apresentar cílios na porção inicial. Esse epitélio simples contém também células de Clara. O músculo liso e as fibras elásticas formam uma camada mais delgada do que a do bronquíolo terminal.








Traquéia


A traqueia é uma continuação da laringe e termina ramificando-se nos dois brônquios extrapulmonares, principais ou primários. É um tubo revestido internamente por epitélio respiratório (pseudoestratificado ciliado com células caliciformes).




A lâmina própria é de tecido conjuntivo frouxo, ricoem fibras elásticas. Contém glândulas seromucosas, cujos duetos se abrem no lúmen traqueal.
A secreção, tanto das glândulas como das células caliciformes,forma um tubo viscoso continuo, que é levadoem direção à faringe pelos batimentos ciliares, para removerpartículas de pó que entram com o ar inspirado. Além da barreira de muco, as vias respiratórias apresentam outro sistema de defesa contra o meio externo, representado pela barreira linfocitária de função imunitária, a qual compreende tanto linfócitos isolados como acúmulos linfocitários ricos em plasmócitos (nódulos linfáticos e linfonodos), distribuídos ao longo da porção condutora do aparelho respiratório.
A traqueia apresenta um número variável (16 a 20) de cartilagens hialinas, em forma de C, cujas extremidadeslivres estão voltadas para o lado posterior. Ligamentos fibroelásticos e feixes de músculo liso prendem-se ao pericôndrio e unem as porções abertas das peças cartilaginosas em forma de C. Os ligamentos impedem a excessiva distensão do lúmen, e os feixes musculares possibilitam sua regulação. A contração do músculo causa redução do lúmen traqueal, participando do reflexo da tosse. O estreitamento do lúmen pela contração muscular aumenta a velocidade do ar expirado, e isso toma mais fácil expulsar, pela tosse, a secreção acumulada na traqueia e os corpos estranhos que possam ter penetrado.
A traqueia é revestida externamente por um tecido conjuntivo frouxo, constituindo a camada adventícia, que liga o órgão aos tecidos adjacentes.





Glândulas Adrenais

Glândulas Adrenais

     As adrenais (ou supra-renais) são glândulas retroperitoneais, localizadas no polo superior dos rins, envoltas por uma cápsula de tecido conjuntivo contendo grande quantidade de tecido adiposo. Cada glândula tem aproximadamente 1 cm de espessura, 2 cm de largura no ápice e 5 cm na base e pesa de 7 a 10 g. Além disso, as adrenais são um dos órgãos do corpo mais bem irrigados.
    O parênquima dessa glândula pode ser dividido em duas regiões: 1) a Córtex Adrenal, que é a porção externa, correspondente a cerca de 85% do órgão, de cor amarelada, responsável pela produção dos hormônios corticoesteróides, e; 2) a Medula Adrenal, uma pequena porção mais interna e escura, responsável pela produção dos hormônios adrenalina e noradrenalina.



 

Córtex Adrenal

    O córtex da adrenal possui células parenquimentosas que sintetizam e secretam diversos hormônios esteróides sem armazená-los. As três classes de hormônios adrenocorticais - mineralocorticóides, glicocorticóides e andrógenos - são sintetizados a partir do colesterol no retículo endoplasmático liso (REL).  
     Histologicamente, o córtex é dividido em três zonas concêntricas: 1) a Zona Glomerulosa; 2) a Zona Fasciculada e; 3) a Zona Reticulada.
     A zona glomerulosa constitui no anel concêntrico externo das células do parênquima capsular, localizadas logo abaixo da capsula da adrenal, representando cerca de 13% do volume total da adrenal. As pequenas células colunares que compõem essa zona estão dispostas em cordões e grupos. Seus núcleos são pequenos, escuros e contém um ou dois nucléolos. Seu citoplasma é acidófilo, com REL abundante e extenso, com mitocôndrias curtas, com cristas em prateleira, com um complexo de golgi bem desenvolvido, com retículo endoplasmático rugoso abundante, com ribossomo livres e com algumas gotículas de lipídios dispersas. Além disso, essas células, ocasionalmente, se unem umas às outras por desossamos e junções comunicantes e algumas vezes as células também possuem microvilosidades curtas.
   As células do parênquima da zona glomerulosa sintetizam e secretam os hormônios mineralocorticóides, principalmente aldosterona. A síntese desses hormônios é estimulada pela angiotensina II e ACTH.
     A zona fasciculada é a camada intermediária do córtex e constitui até 80% do volume total da glândula. Essa zona contém capilares sinusóides dispostos longitudinalmente entre colunas de células parenquimatosas. As células dessa camada são denominadas espongiócitos. Elas são poliédricas e maiores que as células da camada glomerulosa. Estão dispostas como colunas radiais, são levemente acidófilas, possuem muitas gotículas de lipídios no citoplasma, têm mitocôndrios esféricos com cristas tubulosas e vesiculares, possuem extensas redes de retículo endoplasmático rugoso e lisossomos. Essas células sintetizam e secretam hormônios glicocorticóides. Sua síntese é estimulada pelo ACTH.
      A zona reticulada é a camada mais interna do córtex, constituindo 7% do volume da glândula. As células dessa camada são acidificas e fortemente coradas. Elas estão dispostas em cordões que se anastomosam. São semelhantes aos espongiócitos, mas são menores e com menos gotículas lipídicas. Essas células sintetizam e secretam andrógenos e pequenas quantidades de glicocorticóides, que tem sua secreção estimulada por ACTH.


G - Zona Glomerulosa/ F - Zona Fascicular



Medula Adrenal


  A medula adrenal constitui na porção central da adrenal e está totalmente envolta pelo córtex adrenal. Essa porção compreende duas populações de células parenquimatosas:   1) as células cromafins e 2) as células do gânglio simpático.                                               As células cromafins são epitelóides grandes, dispostas em grupos ou em cordões curtos. Elas são produtoras de catecolaminas, que são os transmissores do simpático adrenalina e noradrenalina, que são secretos pelas células cromafins em resposta a estímulos pelos nervos simpáticos pré-ganglionares esplânicos.
  As células do gânglio simpático estão dispersas pelo tecido conjuntivo.
  A medula da adrenal funciona como um gânglio simpático, contendo células simpáticas pós ganglionares destituídas de denários e de axônios.

Zona medular / células cromafins


Vasos Sanguíneos e Linfáticos

VASOS SANGUÍNEOS

Os vasos sanguíneos são formados são constituídos pelas artérias, que levam o sangue do coração para os órgãos e os tecidos, conduzindo O2 e nutrientes na circulação sistêmica, e sangue desoxigenado na circulação pulmonar; pelos capilares, túbulos delgados em cujas paredes ocorre o intercâmbio metabólico entre o sangue de volta ao coração, trazendo CO2 e dejetos dos tecidos na circulação sistêmica e sangue oxigenado na circulação, e pelas veias, que trazem o sangue dos tecidos e o conduzem de volta ao coração.


CAPILARES SANGUÍNEOS
Consistem em uma camada de células endoteliais, o endotélio (epitélio simples pavimentoso), em forma de tubo, com pequeno calibre: uma a três células em corte transversal (Figuras 01 e 02). Ao redor das células endoteliais, compartilhando a mesma lâmina basal, há os pericítos, de origem mesenquimatosa como as células endoteliais. Eles possuem núcleo alongado, prolongamentos citoplasmáticos e junções comunicantes com as células endoteliais. Filamentos de actina e de miosina promovem a sua contração, regulando o fluxo sanguíneo.
















Quanto à continuidade da parede endotelial, distinguem-se três tipos de capilares: contínuo, fenestrado e sinusoide.
Nos capilares contínuos, o espaço intercelular é vedado pelas junções de oclusão, e a entrada de substâncias ocorre principalmente por pinocitose. Esses capilares localizam-se nos tecidos conjuntivo, muscular e nervoso. Neste último, estabelecem a barreira hematoencefálica ao evitar a passagem de macromoléculas

 Nos capilares fenestrados, as células endoteliais estão unidas por junções de oclusão, mas, além das vesículas de pinocitose, apresentam poros (ou fenestras, do latim fenestrae, janelas), geralmente recobertos por um diafragma mais delgado que a membrana plasmática, facilitando a difusão de metabólitos (Figura 03). Esse tipo de capilar é encontrado em órgãos onde há intensa troca de substâncias entre as células e o sangue, como nas glândulas endócrinas, nos rins, nos intestinos e em determinadas regiões do sistema nervoso (glândula pineal, hipófise posterior, partes do hipotálamo e plexo coroide).



Os capilares sinusoides têm trajeto tortuoso (sinuoso) e calibre aumentado, sendo o diâmetro interno de 30 a 40µm (nos outros capilares, era de 8 a 10µm). Além de poros sem diafragma, há amplos espaços entre as células endoteliais, e a lâmina basal é descontínua. Há macrófagos em torno da parede. O trajeto tortuoso reduz a velocidade da circulação sanguínea e as demais características desse capilar possibilitam um intenso intercâmbio de substâncias entre o sangue e os tecidos e a entrada ou a saída de células sanguíneas. Esses capilares estão presentes no fígado e em órgãos hematopoéticos, como na medula óssea e no baço.



ARTERIAS E VEIAS
   Os vasos sanguíneos são formados pelas túnicas íntima, média e adventícia, que, de forma generalizada, podem assim ser descritas:

Túnica íntima, constituída pelo endotélio, pela camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo com células musculares ocasionais e pela lâmina elástica interna, de material elástico
Túnica média, que possui tecido elástico ou tecido muscular liso. O tecido elástico é composto por várias lâminas elásticas, produzidas por células musculares lisas. As lâminas elásticas são fenestradas, permitindo a difusão dos nutrientes. As células musculares lisas, organizadas em espiral, aparecem dispostas circularmente no corte do vaso. Há ainda, secretadas pelas células musculares, fibras colágenas, reticulares e elásticas, proteoglicanas e glicoproteínas. Pode haver a presença da lâmina elástica externa, de material elástico;
Túnica adventícia, composta por tecido conjuntivo denso não modelado e tecido conjuntivo frouxo, o qual se continua com o conjuntivo frouxo do órgão onde o vaso está inserido. Possui fibras colágenas e elásticas e proteoglicanas sintetizadas pelos fibroblastos. Pode conter feixes musculares dispostos longitudinalmente. Há a presença de nervos, capilares linfáticos e pequenos vasos sanguíneos, denominados vasa vasorum, isto é, vasos dos vasos, que desempenham função nutridora.

      Os vasos são nutridos pela difusão de metabólitos do sangue que passa na sua luz, mas as túnicas média e adventícia dos vasos de grande calibre, especialmente das veias, onde corre sangue venoso, não são alcançadas, por isso a importância dos vasa vasorum.

Conforme o calibre dos vasos ou se são do ramo arterial ou venoso, alguns constituintes das camadas podem estar ausentes ou variar na sua espessura e composição. (Figuras 4 a 9).



       A túnica média muscular das artérias de médio calibre (Figuras 6 e 7) controla o afluxo de sangue aos vários órgãos, enquanto as numerosas lâminas elásticas nas artérias de grande calibre suportam a elevada pressão do sangue proveniente do coração. Essas artérias, em virtude do material elástico, cedem e retornam ao calibre normal.




        Em comparação com as artérias de diâmetro externo semelhante, as veias apresentam a parede mais delgada, geralmente colapsada nos cortes histológicos, devido à pequena quantidade de material elástico e à camada muscular pouco desenvolvida  (Figuras 6 a 9).





Como as veias nos braços e nas pernas transportam o sangue contra a gravidade, elas possuem válvulas, pregas da túnica íntima de tecido conjuntivo, com fibras elásticas, revestidas por endotélio. Elas são apontadas na direção do coração e impedem o refluxo do sangue.



VASOS LINFÁTICOS

O sistema vascular linfático consiste em vasos, revestidos por endotélio, que recolhe o liquido tecidual e o devolvem ao sangue. O liquido contido nesses vasos recebe o nome de linfa, e, ao contrário do sangue, circula exclusivamente em uma direção, ou seja, dos órgãos para o coração.
    Os capilares linfáticos são constituídos de endotélio e lâmina basal incompleta. Estes capilares prendem-se firmemente ao conjuntivo adjacente por meio de feixes de filamentos.


IMAGEM 01- estrutura de capilar linfático estudado ao microscópio eletrônico. A lâmina basal( setas) é incompleta. As céçulas endoteliais prendem-se ao tecido conjutivo adjacente através de feixes de filamentos.


     Vasos linfáticos são encontrados em quase todos os órgãos, com raras exceções, como, por exemplo, o sistema nervoso central e a medula óssea. Apresentam estrutura parecida com a das veias, com paredes mais delgadas e sem separação nítida entre as três camadas: íntima, média e adventícia.

      Possuem um maior número de válvulas no seu interior. A linfa circula nos vasos linfáticos devido à ação de forças externas, como, por exemplo, a contração dos músculos esqueléticos sobre a parede destes vasos. Estas forças associadas a grande quantidade de válvulas, impulsionam a linfa. Sendo que, também, a contração rítmica da musculatura lisa da parede dos vasos linfáticos maiores favorece a circulação linfática.

IMAGEM 02- Corte do capilar linfático (L) mostrando uma válvula (setas cheias). A seta longa e descontínua indica o sentido do fluxo da linfa na luz deste capilar. 


      Os vasos linfáticos terminam em dois grandes troncos: o ducto torácico e o ducto linfático principal direito, que desembocam nas veias próximas ao coração. Assim, a linfa entra na corrente sanguínea.
    Os ductos linfáticos são estruturalmente semelhantes às veias de grande calibre.





Pele e Glândulas


Pele
A pele é o maior órgão do corpo humano (16% do peso corpóreo total) e recobre a superfície corporal. É constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica chamada de epiderme e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica conhecida como derme. Abaixo e em continuidade com a derme, se encontra a hipoderme ou tecido celular subcutâneo (é um tecido conjuntivo frouxo que pode conter células adiposas), que não faz parte da pele, apenas lhe serve de união com os tecidos adjacentes.
A pele desempenha função de proteção, tanto contra a perda de água como contra o atrito. Responsável também pela percepção do ambiente externo, através de suas terminações nervosas sensitivas, que enviam informações para o Sistema nervoso central. Além disso , por meio de seus vasos sanguíneos glândulas e tecido adiposo, auxilia na termorregulação e excreção de varias substâncias.

Epiderme:
Constituída por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. Apresenta quatro tipos principais de células: os queratinócitos(mais abundantes),os melanócitos,as células de Langerhans e as de Merkel. Sua espessura e estrutura variam de acordo com o local estudado(sendo mais espessa e complexa na palma das mãos e planta dos pés, que se distingue da pele fina do restante do corpo , principalmente pelo numero de camadas).
Estas camadas são:
·        *  Camada basal – constituída por células prismáticas ou cuboides, basófilas, repousando sobre a membrana basal que separa a epiderme da derme. É rica em células tronco e junto com a camada seguinte, a espinhosa, é responsável pela renovação da pele, por isso é chamada de camada germinativa. A camada basal contêm filamentos de queratina , que vão se tornando mais numeroso á medida que se avança para a superfície.
·        *  Camada espinhosa – formada por células cuboides ou ligeiramente achatadas , de núcleo central, citoplasma com curtas expansões que contém feixes de filamentos de queratina(tonofilamentos). Essas expansões se mantém unidas as células adjacentes pelos desmossomos, o que dá a cada célula o aspecto espinhoso, ambos são importantes na manutenção da coesão entre as células da epiderme e na resistência ao atrito. Nesta camada também existem célula tronco, auxiliares na renovação da pele.
·         * Camada granulosa – possui apenas de 3 a 5 camadas de células poligonais achatadas de núcleos centrais e citoplasma carregado de grânulos basófilos(chamados de grânulos de querato-hialina, que não são envolvidos por membrana). Existe também nesta camada os grânulos lamelares, vistos somente ao microscópio, formados por bicamadas lipidicasve envoltos por membranas, que são responsáveis pela impermeabilização que impede a desidratação das células.
·         Camada lúcida – mais evidente na pele espessa é constituída por uma camada delgada de células achatadas, eosinófilas e translúcidas, cujos núcleos e organelas foram digeridos por enzimas dos lisossomos. O citoplasma apresenta numerosos filamentos de queratina. Presença de material eletro-denso.
·         * Camada córnea – tem espessura muito variável, constituída por células achatadas, mortas e sem núcleo. Com citoplasma repleto de queratina.

Geralmente a pele espessa apresenta as cinco camadas descritas , e na pele fina falta frequentemente as camadas granulosa e a lúcida, sendo a camada córnea muito espessa.




. Melanócitos : produz a melanina, um pigmento marrom escuro , que se encontra na junção da derme com a epiderme ou entre os queratinócitos da camada basal da epiderme. São derivados da crista neural embrionária e apresentam citoplasma globoso, de onde partem prolongamentos que se ligam as células da camada basal e da espinhosa para transferir para elas os grânulos de melanina. Os melanócitos formam hemidesmossomos para se prender a membrana basal.

. Células de Langerhans : células muito ramificadas, localizam-se em toda epiderme entre os queratinócitos, sendo mais frequentes na camada espinhosa. Se originam das células percursoras do sangue na medula ossea. Estas células são capazes de captar antígenos, processa-los e apresenta-los aos linfócitos T, tendo papel importante nas reações imunitárias cutâneas.
. Células de Markel : existem em maior quantidade na pele espessa, especialmente na ponta dos dedos. Apresentam grânulos citoplasmáticos eletro-densos, de composição desconhecida. Estas células se localizam na parte profunda da epiderme, apoiadas na membrana basal e presas aos queratinócitos por meio de desmossomos. Em contato com a base das células de Merkel existe uma estrutura em forma de disco , onde se inserem fibras nervosas aferentes (conduzem impulsos ao sistema nervoso central). São consideradas mecano-receptores.

Derme :
Camada de tecido conjuntivo onde se apóia a epiderme , e que une a pele ao tecido celular subcutâneo. Apresenta espessura variável de acordo com a região estudada, chegando a no máximo 3mm na planta do pé. Tem a superfície irregular , onde existem saliências, chamadas de papilas dérmicas (que aumentam a área de contato entre a derme e a epiderme) , sendo mais frequentes nas zonas de atrito e sujeitas a pressões.
A derme é composta ainda por duas camadas a papilar ( mais superficial e delgada, constituída por tecido conjuntivo frouxo) e a reticular (mais profunda e espessa, o tecido conjuntivo denso). Ambas as camadas contém muitas fibras elásticas, responsáveis pela elasticidade da pele. E além dos vasos linfáticos e sanguíneos e dos nervos , pode-se encontrar na derme : folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas.

Hipoderme :
Formada por tecido conjuntivo frouxo, que une de maneira pouco firme a derme aos órgãos adjacentes. Responsável pelo deslizamento da pele sobre os órgãos em que ela se apoia.
Dependendo da região e do grau de nutrição do organismo, a hipoderme pode ter uma camada de tecido adiposo de espessura variável, chamada de panículo adiposo, que serve de reserva energética e proporciona proteção térmica.


Glândulas da pele

Glândulas sudoríparas :
As glândulas sudoríparas são muito numerosas e se encontram em toda a pele, exceto regiões como a gande. Estas glândulas são tubulosas simples enoveladas, cujos ductos se abrem na superfície da pele (ductos não ramificados, com menos diâmetro que  a porção secretora, que se localiza na derme). As células secretoras são piramidais e entre elas e a membrana basal se localizam as células mioepiteliais.
Nestas glândulas existem as células escuras(adjacentes ao lúmen apresentam muitos grânulos de secreção contendo glicoproteínas) e as células claras (localizadas entre as células escuras e as mioepiteliais , não contem grânulos).
 A secreção destas glândulas é o suor , liquido constituível de água e sais minerais,que auxiliam na termorregulação.



Glândulas sebáceas :
As glândulas sebáceas situam-se na derme e os seus ductos desembocam geralmente nos foliculos pilosos, sendo que em regiões como lábios e glande , eles se abrem diretamente na superficie da pele. Estas glândulas são alveolares, e comumente varios alvéolos desembocam em um único ducto curto ( os alvéolos são formados por uma camada externa de células epiteliais achatadas que repousam sobre uma membrana basal). Secretam um produto de natureza lipidica que contém triglicerois , ácidos graxos , colesterol e estereis. A atividade dessas glândulas é muito estimulada pelos hormônios sexuais.